Homens também sofrem por amar demais
Ao contrário do que se acredita, amar excessivamente o outro não é comportamento inerente ao universo feminino
Existe dose certa para amar? Aparentemente sim. Pelo menos uma proporção considerada saudável de afeto para se ter por outra pessoa. Historicamente, o fato de alguém amar excessivamente outra pessoa costuma ser vinculado quase que exclusivamente ao universo feminino. No entanto, os homens também sentem, sofrem e choram por amar demais . O amor não é uma característica de gênero, dizem os especialistas em comportamento. Eles, como qualquer pessoa, possuem a capacidade de se entregar ao amor e quando decidem fazê-lo estão propícios aos sofrimentos que esse sentimento tão arrebatador pode causar.
Apesar da forma de sentir o amor ser semelhante entre os gêneros o que diferencia é a forma de manifestá-lo perante o mundo. Eles disfarçam melhor do que as mulheres e costumam simular virilidade, rigidez e força por causa da educação que tiveram desde a infância. Enquanto as mulheres sofrem, a sociedade tolera e entende essa manifestação da tristeza como algo normal, já com os homens o que acontece é um desespero perante a rejeição social. Por isso, a maioria sofre em silêncio, porque foi treinada para sere prática e racional desde pequeno, enquanto as mulheres são educadas para projetar a felicidade no parceiro.
"O homem sofre muito, mas foi treinado a não demonstrar. A dor é muito grande. Em alguns casos é até maior que naquelas mulheres consideradas mais melosas. O homem vai à sarjeta e não tem apoio dos outros homens, ao contrário das mulheres. Eles escondem o sentimento e é comum desenvolverem gastrite e sofrerm mais infartos e acidente vascular cerebral, (AVC). Eles também precisam desse conforto, mas não têm. A traição, por exemplo, para homem é completamente destrutiva, o prejuízo emocional é muito maior que para uma mulher", explica a psicóloga e terapeuta sexual, Rosana Shneider.
O novo papel das mulheres na sociedade com maior independência financeira e psicológica fez com que os homens se sentissem inseguros. "Eles ligam segurança ao controle financeiro e muitas mulheres recebem mais que os companheiros. De outro lado, a diferença é que hoje eles se permitem mostrar mais os sentimentos. Antes se exigia deles uma postura sexual e rígida, hoje espera-se mais emoção e amor".
A reprise da novela "Mulheres Apaixonadas", inicialmente exibida em 2003 trouxe à tona discussões como o ciúme excessivo pode ser encarado como um indicador que algo vai mal. Na trama a personagem Heloísa, vivida pela atriz Giulia Gam projeta sua felicidade exclusivamente no marido e apresenta crises constantes e incontroláveis de ciúme. "As pessoas aprendem que a felicidade está projetada no outro e não está nisso. A felicidade está dentro de você. Essa é uma falha da nossa sociedade e que causa grandes problemas aos relacionamentos" .
Mada- com a novela, o grupo Mulheres que Amam Demais Anônimas (Mada) foi amplamente divulgado em todo o país. Baseado no livro Mulheres que Amam Demais, de 1985, da autora Robin Norwood, o Mada funciona como um apoio para aquelas mulheres que sofrem por amor. "A dependência emocional é um transtorno que se caracteriza pelo medo que sentimos da liberdade e tem como característica comportamentos submissos, falta de autoconfiança, indecisão, dificuldade de dar limites e também por um temor exagerado do abandono, da solidão; logo, medo da separação", afirma Norwood.
De acordo com a definição do site do grupo ,o Mada é "um programa de recuperação para mulheres que têm como objetivo primordial se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros". O grupo Mada cresceu e, atualmente temos 40 reuniões semanais no Brasil distribuídas em 11 Estados (incluisve em Mato Grosso) e o Distrito Federal.
terça-feira, 7 de julho de 2009
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