sábado, 23 de janeiro de 2010

Vanguart abre show dos ingleses do Coldplay



Banda mato-grossense entra em estúdio para gravar segundo álbum que deve ser lançado até julho com influências da bossa nova como Jobim e Debussy



"Não se conquista a fama deitado sobre leves plumas", a frase é de Dante Alighieri e aponta como a relação de sucesso e trabalho é fundamental. Com cinco anos de estrada e batalhas por um espaço ao sol a banda mato-grossense Vanguart ampliou o cenário do pop de qualidade no Brasil. Isso vindo de uma região que ainda enfrenta preconceitos por não contar com a estrutura de outros centros culturais do país. Na última semana eles foram surpreendidos com a notícia de que fariam os shows de abertura da banda inglesa Coldplay no Brasil. O quinteto conseguiu com muita qualidade, criatividade e bom gosto se firmar no cenário underground do pop rock e assinar com uma importante gravadora. Em entrevista exclusiva ao Vida, o vocalista Hélio Flanders fala sobre a experiência de tocar para uma multidão, o novo CD previsto para ser lançado em julho e a saudade de Mato Grosso.



O ponto de partida da turnê "Viva La Vida World Tour" da banda britânica Coldplay em solo brasileiro será com músicas do Vanguart. Segundo a organização dos shows, foram mais de 159 apresentações com cerca de 2,75 milhões de pessoas em 25 países. Por esse motivo, a informação de o Vanguart abriria os shows no Brasil, publicada nesta terça-feira (5/1) no site oficial da banda inglesa, pegou muita gente de surpresa. Ansioso para tocar para o maior público da carreira, estimado em mais de 50 mil pessoas por apresentação, Hélio Flanders conta como aconteceu o convite. "Acho que o Coldplay hoje é um dos poucos exemplos do que podemos chamar de megabanda, ou banda de estádio mesmo. Quase no nível de Madonna, U2 etc. A escolha da banda de abertura foi feita pelo próprio Coldplay, apenas recebemos o convite. Acredito que por sermos da mesma gravadora (Universal Music) os ingleses tiveram conhecimento de nós".


No Brasil a banda britânica toca na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, dia 28 de fevereiro, e no Estádio do Morumbi, em São Paulo, dia 02 de março. É comum músicos dizerem que aumenta a ansiedade ao fazer shows de abertura, especialmente, em razão de que a maioria do público presente pagou para ver outra banda tocar. Com o Vanguart não é diferente. "Sim, é sempre um pouco arriscado e não há como não ficar um pouco ansioso quando se vai tocar para 50 mil pessoas, mas ao mesmo tempo em 5 anos de estrada temos certa experiência em driblar o nervosismo. Se concentrar, se preparar bem tanto fisicamente como a questão musical em ensaios faz a diferença. É fundamental subir ao palco se sentindo seguro em shows pra tanta gente".


O fato de ter a estrutura de uma gravadora na hora de planejar e divulgar o trabalho fez com que algumas coisas mudassem na dinâmica do trabalho da Vanguart. "Continuamos vendo a arte da mesma maneira, sempre tentando caminhos sinuosos do que os mais óbvios e não tentando se adequar ao mercado, mas ao mesmo tempo estar com uma gravadora te obriga a não levar sua carreira sem planejamento, o que é muito bom. Acho que hoje temos um modelo de como trabalhar, e isso veio com os anos de estrada".


Álbum no forno- No novo disco o Vanguart vai flertar com sons que no primeiro trabalho eram influências mais tímidas como é o caso da bossa nova. Mas sem perder a identidade do Folk Rock. "Usamos algumas idéias harmônicas que são inspiradas em Jobim e em Debussy, mas com a nossa pegada, então vai ser algo diferente. As canções estão menos pop, eu diria, algumas com refrão, mas nada óbvio". A previsão de lançamento do CD é de no máximo até julho. "Entramos em estúdio agora no fim de janeiro. Enquanto isso seguiremos com os shows".



A identidade da banda é diretamente ligada à Mato Grosso, a mídia nacional os rotula de "os cuiabanos" da Vanguart, por isso é inevitável questionar sobre como anda a relação deles com a banda de cá. Para o vocalista Hélio Flanders a saudade é grande. "Estou completamente desesperado para tocar novamente em Cuyaba [assim mesmo com ‘y’ como prefere Hélio]. O ano de 2009 foi de muita correria e não tivemos bons convites para ir tocar aí, mas esperamos que antes de março possamos voltar a nossa terra natal para matar a saudade dos amigos e do público matogrossense".



O som do Vanguart- As influências da banda surgida em Cuiabá em 2003 são de maioria do folk rock, do blues e rock clássico, como Bob Dylan, The Beatles, Neil Young, Johnny Cash, The Velvet Underground e The Beach Boys. É formada por Hélio Flanders, Reginaldo Lincoln, David Dafré, Douglas Godoy e Luiz Lazzaroto, o nome da banda foi retirado de um vídeo que falava sobre o pintor de Pop Art Andy Warhol. Em 2005 com sua sonoridade já definida, o grupo começou a participar de festivais de música independentes, como o Festival Calango.



No ano seguinte, a banda lançou o single Semáforo que virou sucesso no mercado da música independente no Brasil. No fim de 2006, os vangsentraram em estúdio para gravar o primeiro álbum que levou o nome de Vanguart, que foi lançado em julho de 2007, pela selo Outracoisa do cantor Lobão. Em novembro de 2008 fecharam contrato com a Universal Music, gravadora em que lançaram em 2009 o CD e DVD registro Multishow. As expectativas crescem para o segundo álbum, que está planejado para ser lançado no início do segundo semestre do ano.